
Silencioso, assombroso e belo, Fase IV é um intrigante (e também negligenciado) filme de ficção científica feito pelo renomado designer Saul Bass (o homem por trás das sequências de créditos iniciais de Psicose, Um corpo que cai, entre outros outros). Mas para quem espera sustos e monstros medonhos regados a surpreendentes efeitos especiais (que parecem ser requisistos das ficções de hoje) definitivamente é melhor passar longe de Phase IV. Esse é um daqueles raros filmes que exige uma apreciação atenta, que nos leva e nos obriga a algumas reflexões...

As primeiras e psicodélicas imagens nos mostram um misterioso fenômeno cósmico que não afetou a humanidade...

A ação de Fase IV se inicia em um trecho desolado do deserto norte-americano, de onde o olhar artístico de Saul Bass explora os matizes da paisagem cena após cena acentuando os castanhos, laranjas e amarelos.
SOBRE O DVD: Phase IV nunca foi lançado em DVD no Brasil e sinceramente acho que jamais será. É o tipo de filme que não convêm aos interesses comerciais das distribuidoras. Para quem é fã e gostaria de ter este inegável cult em DVD, entre em contato. Possuo uma versão do DVD-região 1 com legendas em português (rub.records@yahoo.com.br)

...Mas que parece ter transformado de alguma forma os seres mais inofensivos e banais do planeta terra: as formigas.

A ação de Fase IV se inicia em um trecho desolado do deserto norte-americano, de onde o olhar artístico de Saul Bass explora os matizes da paisagem cena após cena acentuando os castanhos, laranjas e amarelos.

Somos então levados por uma série de close-ups de formigas e uma voz em off começa a destacar as habilidades e potenciais inerentes a esta força da mais insignificante das criaturas de Deus. Por várias cenas, filmadas de uma maneira quase documental somos convecidos do potencial impacto que as formigas podem ter sobre o planeta.

A história humana de Fase IV diz respeito aos esforços de Doutor Hobbs (Nigel Davenport), e James (Michael Murphy), o seu assistente, para estudar as recentes e estranhas atividades das formigas do local. Embora quase todo mundo na América tenha relatado o estranho e novo comportamento das formigas, ninguém deu importância.
Mas o Dr. Hobbs está convencido de que algo importante, e possivelmente catastrófico, está acontecendo na solidão do deserto.
Depois de garantir o dinheiro necessário para financiar seus experimentos, Hobbs e seu assistente se estabelecem em um laboratório hermeticamente fechado para assistir o comportamento das formigas.
E os temores se concretizam ao perceberem o progresso evolutivo das formigas, seu aumento de inteligência e, possivelmente, uma consciência coletiva impregnada com noções de expansão territorial.
Nas mãos de um impaciente diretor, esta história sobre hordas imperialistas de formigas poderia muito bem se tornar ridícula! Mas Bass mantém a sua história firmemente plantada no reino do crível e evita usar qualquer efeito especial para mostrar criaturas monstruosas.
Em vez do sensacionalismo, Bass oferece-nos cenários que são viáveis e por isso mesmo muito mais assustadores. Assim sendo, temos legiões de formigas que atacam fios elétricos para desligar o ar-condicionado que alimenta o laboratório, numa clara tentativa de matar os cientistas humanos.
E assim agem as diminutas formigas, aparentemente frágeis, mas com uma força coletiva terrível, capaz de devorar em instantes um homem de dentro para fora.
O mais intrigante na direção de Bass é que mesmo os momentos macabros são imbuídos de tal beleza misteriosa que não conseguimos deixar de apreciar a sublime fotografia do filme, mesmo em seus instante de horror. Ok, eu confesso, sou um fã do Saul Bass... he he he
Para além do visceral e imediato horror que o filme mostra, existe uma profunda e mais sinistra idéia.
Conforme o filme avança, vemos como Hobbs é lentamente consumido por uma enlouquecedora febre devido a uma picada, enquanto James luta para encontrar uma forma de se comunicar com as formigas. Em certa altura, junta-se a eles uma linda jovem, sobrevivente de um ataque das formigas à sua fazenda. Mas percebemos que o destino dessas almas solitárias, em última instância, é irrelevante para a história.
Vivos ou mortos, os nossos heróis são apenas o primeiro obstáculo para que as formigas tenham a derradeira conquista de toda a civilização.
Sabendo que Hobbs, um homem de ciência e por isso mesmo ciente do poder do inimigo, é incapaz de impedir o avanço das formigas, temos de encarar o fato de que o resto da humanidade também está condenada, que todos os nossos esforços para deter as formigas provavelmente serão infrutíferos.
E apesar de Fase IV marchar para uma desesperada conclusão, Bass abstém-se de nos mostrar esse terrível apocalipse, deixando para o final apenas uma sucessão de belas imagens e um calafrio premonitório do que está por vir.
E o poder das imagens criadas pelo diretor/designer é incontestável. E a sua fusão com a trilha sonora eletrônica do grupo "Tangerine Dream" também ajuda a criar uma atmosfera totalmente alienígena e desconfortável.
Para quem não conhece, Saul Bass (1920-1996) foi um extraordinário designer, que a partir de 1955, revolucionou os créditos de apresentação de filmes, ao fazer os trabalhos introdutórios de "Carmen Jones"(1955), e "O Homem do Braço de Ouro" (The man with the golden arm, 1956), ambos de Otto Preminger, que voltaria a utilizar seu talento em outros filmes ("Anatomia de um crime", 1958; "Exodus", 1960; "Tempestade sobre Washington", 1962 e "Bunny Lake Desapareceu", 1965).
Evidentemente, que seu talento não ficou restrito aos filmes de Preminger: colaborou com Alfred Hitchcook ("Intriga Internacional", 1959 e "Psicose", 1960), Michael Anderson ("A Volta ao Mundo em 80 Dias", 1957), Delmer Daves ("Como Nasce Um Bravo/Cowboy", 1958), Stanley Kubrick ("Spartacus", 1960), Robert Wise ("Amor Sublime Amor", 1962), Edward Dmytryk ("Pelos Bairros do Vício", 1962), Stanley Kramer ("Deu a Louca no Mundo", 1963) e Carl Foreman ("Os Vitoriosos", 1964), para só citar apenas alguns de seus trabalhos. Para quem quiser saber mais sobre esse gênio das imagens é obrigatória a visita ao www.notcoming.com/saulbass/index2.php

















